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Hot Topics Alopecia – Adesão ao Tratamento Capilar

As quedas de cabelo levam a sentimentos de sofrimento e angústia muito grandes nos nossos pacientes. Os cabelos tem ganhado cada vez mais um lugar de destaque quando falamos em saúde e beleza. O impacto da baixa auto-estima, angústia, insegurança e sofrimento pode atingir outras esferas além da vida pessoal desses pacientes. Ele pode influenciar no trabalho e nas relações interpessoais. Podemos considerar que o sucesso terapêutico depende não só de um bom atendimento médico (que engloba diagnóstico e tratamento adequados) mas também da boa adesão do tratamento por parte do paciente. Ambos são igualmente necessários para que as doenças capilares sejam bem conduzidas.

-> O que causa baixa aderência ou abandono do tratamento capilar?

Dentre as causas mais comuns podemos citar:

⁃ falta de conhecimento por parte do paciente ou falha na interpretação das instruções médicas;

⁃ esquecimento dos horários das medicações e desorganização na ingesta medicamentosa;

⁃ falta de tempo para realizar o tratamento ou falta de motivação para tal;

⁃ imediatismo: novas gerações apresentam um comportamento cada vez mais ansioso e imediatista, o que dificulta a espera do tempo demandado para os resultados dos tratamentos;

⁃ expectativa irreal do paciente;

⁃ medo dos efeitos colaterais;

⁃ falta de confiança no tratamento medico;

⁃ influência cultural (mitos sobre os medicamentos);

⁃ custo do tratamento;

⁃ presença de outras comorbidades.

-> Como modificar esse contexto?

Um bom relacionamento médico-paciente é capaz minimizar grande parte da falta de adesão ao tratamento das alopecias.

Explicar de forma didática e fazer- se compreendido é uma etapa imprescindível, que pode demandar um grande tempo da consulta. Por isso, atender a queixa de alopecia torna-se uma tarefa desafiadora. Além de explicar sobre a doença, é necessário alinhar as expectativas do paciente com a real expectativa do tratamento. Deixar bem claro se existe a possibilidade de retorno do crescimento capilar e quanto tempo ele leva para acontecer ajuda a diminuir a ansiedade. Confortar e acalmar o paciente com alopecia cicatricial também ajuda para que este aceite o seu diagnóstico e se proponha a evitar a perda dos fios remanescentes.

Como muitas vezes, o paciente apresenta outras comorbidades além da alopecia, ajudar e administrar os horários das medicações e tentar facilitar a rotina do tratamento capilar pode ser de grande valia para manter a adesão ao tratamento. O paciente que sente a preocupação do seu médico em avaliá-lo de forma holística tende a ser mais confiante, receptivo e positivo durante o seu tratamento.

Entender o papel das mídias sociais na vida das pessoas leigas ajuda o médico a ter paciência e cautela para orientar sobre fontes confiáveis de busca e pesquisa na internet. Alguns assuntos, particularmente, se tornam importantes nesse contexto, como os efeitos colaterais de medicações como a finasterida e o minoxidil. Aqui englobamos questões culturais, mitos, bulas medicamentosas desatualizadas e influência de leigos considerados “digital influencers”.

Não adianta fechar os olhos para essa realidade. Uma boa maneira de se fazer compreendido e respeitado é se adiantar a essas questões e sugerir caminhos confiáveis para que o resultado dessa busca se assemelhe o máximo possível com a realidade médica.

E por último, entender a situação econômica do país e tentar viabilizar de forma honesta o receituário médico. Explicar a ordem de prioridade dos medicamentos e adaptar as opções terapêuticas à classe social a que o paciente pertence. Muitas vezes, um receituário “enxuto” porém eficaz, leva a maior adesão do paciente e consequentemente a resultados mais concretos e positivos.

Todas essas medidas contribuem não só para a melhora consistente da alopecia do paciente mas para a melhora da imagem do profissional que cuida desse paciente. Desta forma, podemos consolidar cada vez mais a importância do médico dermatologista como responsável pelos cuidados das doenças dos cabelos e do couro cabeludo.