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Alopecia Androgenética (AGA)

A Alopecia Androgenética é causada pela junção de dois fatores: o fator genético e o fator hormonal. A herança genética é poligênica e pode ser de origem materna e paterna. Os hormônios responsáveis pela queda de cabelo nessa doença são os masculinos, especialmente a diidrotestosterona. Vale lembrar que mulheres apresentam uma porcentagem menor desses hormônios que circulam em seu organismo, portanto, também podem sofrer de CALVÍCIE, o termo popular para essa doença.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a AGA afeta ambos os sexos, com mais de 50% dos homens apresentando algum grau de calvície acima dos 50 anos. As estimativas em relação às mulheres são variadas, e o pico de incidência ocorre após os 50 anos, com cerca de 30% de acometimento por volta dos 70 anos. Dados epidemiológicos variam em diferentes etnias, com relatos de prevalência menor em asiáticos e afrodescendentes em relação aos caucasianos.

Existem basicamente 3 padrões de acometimento: o padrão masculino, o padrão feminino e o misto. O padrão masculino predomina nos homens, acomete as têmporas (entradas laterais), o vértex e, em fases mais avançadas, toda a região fronto-médio-parietal, deixando apenas a região occipital preservada. O padrão feminino é mais comum nas mulheres, acomete o couro cabeludo de forma difusa, se apresentando como uma rarefação capilar difusa. O padrão misto é a forma mais rara e mistura os dois componentes já descritos.

A doença se inicia na adolescência, quando o estímulo hormonal aparece, e avança de forma progressiva, com mais sintomas a cada ciclo folicular. No início, os cabelos sofrem um afinamento progressivo, por isso vemos uma diminuição do volume, apesar da densidade ainda ser normal. Lentamente os fios vão caindo, mas nunca caem em tufos como em outros tipos de queda, como o eflúvio telógeno. A perda é lenta e gradual, por isso muitos pacientes demoram a procurar ajuda médica. Sem o tratamento adequado, esses fios que caem param de repilar e entram em um estado de “dormência”. Nesse momento o tratamento adequado é capaz de reverter a queda e melhorar a espessura dos fios na grande maioria dos casos. Quanto antes o tratamento for instituído, maior a chance de resposta, pois com o passar dos anos, alguns desses folículos sofrem uma fibrose e morte, então, neste momento, mesmo com o tratamento correto, não conseguimos mais repilar.

A Alopecia Androgenética é uma doença genética, mas alguns fatores podem piorar o problema, como, por exemplo, a menopausa e o uso de suplementação de hormônios masculinos. Exames genéticos podem identificar os pacientes com maior risco de desenvolver a doença. Entretanto, não há como evitar totalmente o desenvolvimento da alopecia sem o tratamento adequado.

O diagnóstico envolve exame adequado com a “dermatoscopia” do couro cabeludo (tricoscopia digital), história genética familiar, exame clínico e, em alguns casos difíceis, a biópsia pode auxiliar. É importante que o paciente procure ajuda de um dermatologista especializado em tricologia para ser bem orientado e diagnosticado. Quanto mais precoce é feito o diagnóstico, maiores são as chances de um tratamento bem sucedido.

O tratamento baseia-se em estimulantes do crescimento dos fios e em bloqueadores hormonais. Existem guidelines para o tratamento, como o Europeu de 2011, o mais recente publicado. O objetivo do tratamento é estacionar o processo e recuperar parte da perda. O pilar do tratamento envolve loções capilares, xampus anti-seborreia e uso de medicações orais antiandrogênicas (finasterida, alguns anticoncepcionais e diuréticos com esta ação). Além disso, uma gama de tratamentos complementares está disponível para auxiliar na velocidade da recuperação como lasers, leds, microagulhamento do couro cabeludo, microinfusão de medicamentos na pele etc. O tratamento deve ser contínuo, a longo prazo, pois é preciso estar sempre bloqueando a ação hormonal dos folículos geneticamente alterados.

Para casos de avanço rápido e para aqueles casos onde o tratamento clínico não responde mais devido à fibrose instalada, temos o “implante capilar”, técnica onde o cirurgião capilar retira fios de uma área segura do couro cabeludo, livre da ação genética e hormonal e implanta nas regiões sem cabelos da mesma pessoa. Os fios implantados, por serem de uma área segura, não caem nunca mais. Hoje as técnicas são avançadas e o resultado é extremamente natural, livrando o paciente do estigma do transplante capilar de antigamente.

As técnicas mais conhecidas e divulgadas são o FUE (Extração de Unidades Foliculares, sigla em inglês) e FUT (Transplante de Unidade Folicular) e hoje já existe a possibilidade de implantar o fio longo, muito interessante para que se tenha uma melhor ideia do resultado final do transplante logo ap
ós o término da cirurgia. A Associação Brasileira de Restauração Capilar (ABCRC) é a entidade, no Brasil, que assegura a educação médica continuada, aperfeiçoamento e guidelines que capacitam um bom cirurgião capilar.

Para o Futuro:

Estudos promissores vêm acontecendo em todo o mundo com o Plasma Rico em Plaquetas e com as Células Tronco, na tentativa de incrementar o leque de tratamento para a calvície. Essa prática ainda não é aprovada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM ) no Brasil, por se tratar de caráter experimental. Porém, em breve, novas pesquisas e resultados de estudos em andamento podem tornar tais técnicas uma realidade!

Lembre-se sempre: a sua saúde é o seu bem mais precioso. Entregue-a aos cuidados de quem tem capacidade para tal. Procure sempre um dermatologista especializado no estudo das doenças dos cabelos e couro cabeludo.